Lions, um universo sem fronteiras

EGD Antônio Carlos Tozzi Henriques *
Engenharia genética, comunicações instantâneas, viagens intercontinentais, passeios no espaço sideral, globalização da economia. Tudo isso se tornou rotineiro nesse início do século XXI. O conhecimento, a ciência e a tecnologia superaram todas as fronteiras. Menos uma! Justamente aquela que separa uma pessoa da outra.

Assim, chegamos às estrelas sem sermos capazes de olhar em volta e redescobrir o que se encontra ao nosso redor. Embriagados por valores abstratos, nós recaímos na tragédia moderna: não conseguimos captar tênues sinais dos nossos semelhantes.

"Homem nenhum é uma ilha, completa em si. Cada homem é uma parte do continente, uma parte do todo. Por isso, quando ouvires as badaladas tristes do bronze, não perguntes por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti". Isto foi escrito por um poeta inglês chamado John Donne. Em poucas palavras, ele escreveu aquele que poderia ser o hino de uma nova humanidade, menos arrogante, porém, mais solidária.

No século de Donne, o espaço do planeta conhecido pelo homem era bem menor que o de hoje. A população, na época, talvez não superasse o total de habitantes de um único grande país contemporâneo. E os sinos dobravam várias vezes ao dia, e todos sabiam do seu significado.

A população da Terra cresceu, as distâncias encurtaram, a tecnologia reduziu vertiginosamente os espaços do planeta, que ficou menor, mais conhecido, quase íntimo.

Neste nosso tempo de descrença e desilusão, os sinos das igrejas já não dobram como antes. E, quando tangem, já não despertam e convocam as pessoas. E se alguém ouve o seu repicar já não sabe sequer a mensagem que estão transmitindo. Manter os sentidos abertos para ouvir os sinos que tocam por alguém, entretanto, não é uma virtude fácil, em nosso pequeno mundo moderno, veloz e, às vezes, tão surdo.

Sempre houve seres humanos, ao longo da história, capazes de desnudar a insanidade das fronteiras, rompendo-as. Alguns deles até perderam a vida nessa árdua tarefa. Uns foram chamados de santos. Outros, de heróis. Alguns de traidores, até que a história lhes devolvesse o lugar na memória da humanidade. Hoje, não é preciso ser santo ou herói e nem há tanto risco de se passar por traidor, quando se denunciam as fronteiras que nos separam.

Unir a humanidade e reduzir as distâncias político-sociais entre os povos talvez tenha sido o mundo com que Donne sonhou. O mundo que Melvin Jones, o fundador do Lions, quis ajudar a construir. No tempo de Donne, o sino era o meio de comunicação mais eficaz entre as pequenas aldeias. Através das diferentes maneiras de tangê-lo, o povo recebia as notícias de morte e de nascimento, e era convocado a se reunir, nos momentos de crise ou na iminência das guerras.

O Lions, cuja prática independe de crenças religiosas ou adesões confessionais, ao ser fundado por Melvin Jones, tornou-se o herdeiro do sino de Donne, que procura tocar a sensibilidade dos homens e mulheres de hoje. O Lions é também um toque de reunir, que se espraiou por mais de 185 países do mundo e despertou quase dois milhões de seres humanos, através de 45.000 Clubes, falando 19 idiomas.

Com sua atuação discreta e informal, o Lions promove um diálogo vivo e criador entre os cidadãos do mundo, ideal que a diplomacia e a política jamais realizaram, por estarem vinculadas a interesses nacionais ou objetivos de grupos.

Durante oitenta e oito anos, o Lions tem desafiado o isolamento e a solidão das grandes cidades, causas de tantos desencontros e de violência entre as pessoas. Em todos esses anos, ele conseguiu superar as barreiras do idioma, da intolerância e dos conflitos entre as nações, responsáveis por guerras absurdas e por dezenas de outros conflitos. Em vez de lamentar ou aceitar passivamente a existência da pobreza, o Lions vêm criando uma rede mundial de solidariedade voluntária, que se estende por todos os continentes.

Nossa Associação não tem o poder de negociar a paz entre as nações, mas utiliza a força de sua história que, desde os tempos de Melvin Jones, vem sendo escrita de forma admirável por pessoas de todo os cantos do planeta. E hoje, ele é a única ONG que tem assento permanente na ONU.

O orgulho em PERTENCER de quem ingressa em nosso meio é o de ser simplesmente humano e, como tal, capaz de encontrar e reconhecer pessoas iguais em qualquer lugar que esteja. E esse planeta não pertence ao poder político e nem à burocracia do Estado, mas a cada homem, a cada mulher, a cada criança.

Antes mesmo que as modernas tecnologias de comunicação e a preocupação com o ambiente estivessem popularizadas, o Lions já considerava a Terra como pátria comum da humanidade, cuja abrangência nos trabalhos comunitários contemplou os aspectos ambientais, sociais, educativos e recreativos. Uma pátria pela qual somos todos responsáveis.

O Leonismo não despreza as políticas nacionais, nem tem a ilusão romântica de que as fronteiras entre os países venham a desaparecer. Cada avanço importante se constitui na promessa de um mundo novo, como sonharam John Donne e Melvin Jones, cada um no seu tempo, cada um do seu modo.

Mas o Lions-sino, aquele que nos desperta como se poderia dizer, é feito da matéria dos sonhos, que às vezes parece imponderável e frágil, mas que tem servido às mais sólidas e duradouras construções. Neste século que se inicia veloz e de vertiginosas mudanças, o Lions se manterá fiel à sua vocação universalista original, sem se contaminar jamais com o recrudescimento do nacionalismo míope que, infelizmente, parece voltar a prosperar em certos países. Países que já deveriam ter aprendido a sua lição de História.

Nesse universalismo - que supera e esvazia divergências e desentendimentos eventuais entre nações e povos - é que o Lions busca sua força e seu poder transformador, erguendo com palavras, gestos e ações concretas um monumento à concórdia e à paz. O Lions busca a sua força oferecendo às pessoas que adentram ao movimento leonístico a capacidade de desenvolver sua liderança, dando a elas o necessário apoio através do corpo de seus associados, ao tempo em que promove a interação dos sócios com as respectivas comunidades, para que haja um estabelecimento de relações públicas positivas e duradouras.

O Lions oferece a oportunidade de ajudar, voluntariamente. O Lions oferece a oportunidade de treinamento de liderança. O Lions oferece a oportunidade de se praticar companheirismo e relacionamento. O Lions oferece a oportunidade da troca de experiências. O Lions oferece a oportunidade de um eficaz trabalho em grupo.

No nosso Movimento, mais que a companheira do homem, a mulher é a combatente sensível pela causa da humanidade, contra a injustiça, o preconceito e a exclusão social. E, procurando integrar a juventude a essa caminhada, através dos LEOs e Castores, o Movimento Leonístico procura transmitir, às novas gerações, um sentido de missão e de compromisso, firmemente ancorado em valores sólidos, em contraponto à ilusão das drogas e aos apelos da selvageria.

Por isso, da próxima vez que ouvirem um sino tocar, faça como John Donne: não perguntem por quem os sinos dobram. Eles sempre dobram por vocês. Assim, atendemos ao chamado de John Donne e à grande lição que nos foi legada por Melvin Jones.

Foi agindo assim que o Lions executou tantos projetos. E só assim, como sócios do Lions, poderemos realizar o grande milagre do nosso tempo: construirmos juntos o território livre de uma nova humanidade, num Universo Sem Fronteiras.


EGD Antônio Carlos Tozzi Henriques * EGD Antônio Carlos Tozzi Henriques
Presidente do Distrito Múltiplo LC - AL 2007/08
Lions Clube Belo Horizonte - Itacolomi - Distrito LC-4
E-mail: acth@uai.com.br
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