Bandeira do Brasil

CL Nelcy Pereira Guimarães *
Somos velhos conhecidos, mas não custa nada lembrar alguns pormenores sobre mim, os quais, talvez, tenham passado despercebidos a alguns de vocês.

Eu sou um dos Símbolos Nacionais e nasci quatro dias após a Proclamação da República, graças ao Decreto N° 4, de 19 de novembro de 1889. E é por isto que o meu aniversário é comemorado todos os anos, em todo o Território Brasileiro e nas embaixadas e nos consulados do Brasil no exterior, no dia 19 de novembro.

Sou, normalmente, confeccionada em tecido, e, de acordo com as dimensões desejadas, em sete tipos diferentes, mas, "poderão ser fabricados tipos extraordinários de dimensões maiores ou intermediárias, conforme as condições e uso, mantidas, entretanto, as devidas proporções".

Minha feitura obedece a certas regras, estipuladas no decreto que me criou e em leis posteriores. É claro que este detalhe é muito importante para mim e, particularmente, para aquelas pessoas encarregadas de me confeccionar, as quais têm obrigação de seguir tais regras com rigor.

As minhas cores, vocês as conhecem bem: o verde e o amarelo que, por lei, são consideradas "cores nacionais", associados ao azul e ao branco. É óbvio que todos sabem que o retângulo que me dá forma é na cor verde; o losango que está no interior deste retângulo é na cor amarela; o círculo envolvido pelo losango é na cor azul; a faixa na qual está escrita a legenda "Ordem e Progresso", que indica que a ordem é indispensável para que um país progrida, é na cor branca. Ah!... Já ia me esquecendo: é verde a cor das letras do meu dístico "Ordem e Progresso".

Todos sabem, também, que se convencionou dar às referidas cores significados especiais: assim, o verde representa, como diz a letra do meu hino, "a verdura sem par destas matas", hoje tão maltratada por elementos inescrupulosos que as devastam impiedosamente, fingindo desconhecer que as árvores são as responsáveis pelo fenômeno da fotossíntese, a qual liberta no ar o oxigênio, vital para a nossa sobrevivência, dele retirando o gás carbônico, nocivo à nossa saúde; o amarelo representa as nossas riquezas, infelizmente até hoje mal exploradas e servindo para a locupletação de uns poucos em detrimento de muitos; o azul representa o "formoso céu risonho e límpido" do meu Brasil, onde a "imagem do Cruzeiro resplandece", nos dizeres da letra do Hino Nacional, meu símbolo-irmão, céu este que, aos poucos, vai sendo poluído pela emissão de gases que, paulatinamente, contribuem para o chamado efeito estufa, e isto graças à falta de escrúpulos de pessoas que não dão a mínima importância à preservação da pureza do meio ambiente; o branco, finalmente, representa a paz, muitas vezes tisnada pela violência, de modo particular nos grandes centros, pelos conflitos provocados pelos sem-terra, pelos seqüestros, pela disseminação cada vez maior das drogas e por muitos outros fatores.

É interessante lembrar que as constelações que figuram no círculo azul "correspondem ao aspecto do céu, na cidade do Rio de Janeiro, às 8 horas e 30 minutos do dia 15 de novembro de 1889 (doze horas siderais) e devem ser consideradas como vistas por um observador situado fora da esfera celeste".

As estrelas das citadas constelações, de várias grandezas, representam, como é sabido, os Estados da Federação Brasileira. Quando novos Estados são criados, novas estrelas são acrescentadas, por lei, "sem afetar a disposição estética original constante do desenho proposto pelo Decreto N° 4, de 19 de novembro de 1989". Uma particularidade que muitos, talvez, desconhecem: a estrela isolada que aparece acima da faixa branca representa o Estado do Pará e não, como alguns pensam, o Distrito Federal (Brasília, hoje).

Pois bem, agora todos vocês, é claro, já sabem a minha identidade. Posso me apresentar: eu sou o símbolo maior desta grande Pátria Brasileira, eu sou, no dizer do grande poeta condoreiro Castro Alves, o "auriverde pendão da minha terra que a brisa do Brasil beija e balança", eu sou, também, no dizer de outro grande poeta, o parnasiano Olavo Bilac, que, por sinal, é o autor da letra do meu hino, onde ele me chama de "lindo pendão da esperança", de" símbolo augusto da paz", cuja "nobre presença à lembrança da Pátria nos traz", eu sou, enfim, com muita honra e muito orgulho, a Bandeira deste imenso e querido Brasil e, como tal, quero ser amada, cultuada e respeitada..

É pena que nem todos entendem ou fingem não entender tudo o que represento, e que me desrespeitam quando me apresentam em mau estado de conservação; quando mudam a minha forma, as minhas cores, as minhas proporções e o meu dístico "Ordem e Progresso", substituindo-o por outras inscrições; quando me usam como roupagem, reposteiro ou pano de boca, guarnição de mesa, revestimento de tribuna ou, ainda, como cobertura de placas, retratos ou monumentos a inaugurar; quando me reproduzem em rótulos ou invólucros de produtos expostos à venda. Chegam, mesmo, às vezes, a me maltratar com palavras, como aconteceu certa ocasião, em uma reunião leonística, quando um companheiro de vocês, referindo-se a mim, disse que eu era "um simples pedaço de pano, pendurado na ponta de um pau". É verdade sim. Eu estava com os ouvidos bem abertos quando esta terrível blasfêmia ecoou pelo salão. E tenho testemunhas do fato. Fiquei muito triste, mas desculpei-o, atribuindo a sua disparatada e infeliz comparação ao desconhecimento da minha importância como símbolo maior do meu país.

Mas outros pecadilhos em relação a mim são também cometidos pelos leões involuntariamente, é bom que se diga, em razão de muitos deles desconhecerem as normas relacionadas com o meu uso, a minha forma, a minha apresentação e com o respeito a mim devido quando, por exemplo, me aplaudem com calorosas salvas de palmas no início e no final de suas reuniões , em desacordo com a lei, a qual estipula que nas homenagens a mim e ao meu dileto irmão Hino Nacional, "todos devem tomar atitude de respeito, de pé e em silêncio, os civis do sexo masculino com a cabeça descoberta e os militares em continência, segundo os regulamentos das respectivas corporações", sendo "vedada qualquer outra forma de saudação". Mas, querem saber de uma coisa?... Eu até gosto da salva de palmas, achando que ela, na verdade, representa uma atitude de respeito, de consideração e de amor a mim, com reflexos cívicos altamente positivos, ainda mais se levado em consideração o fato de que hoje o civismo e o patriotismo estão em baixa, o que é lamentável.

Todavia, é preciso que os nossos legisladores se conscientizem de que há necessidade urgente de reformular a Lei Nº 5.700/71, que trata de mim e dos demais símbolos nacionais, atualizando-a, modernizando-a, tornando-a, enfim, consentânea com os dias atuais. A propósito, estou ciente de que um companheiro de vocês conseguiu que um deputado federal elaborasse um projeto de lei dando nova redação a alguns artigos, parágrafos e alíneas da citada lei, nele incluída a salva de palmas em minha homenagem. Só que o projeto em apreço é de 1° de setembro de 1996, não tendo sido, até hoje, pelo que sei, apreciado pela Câmara dos Deputados. É! Ratificando o que eu disse: o civismo e o patriotismo não estão dando muito ibope nos dias em que vivemos. É bem verdade que eles não dão voto aos senhores parlamentares, não é mesmo? Lamentável mais uma vez.

Outra coisa que me preocupa é o tal guarnecer. Vocês, com certeza, já viram, por diversas vezes (e, quiçá, quando na presidência de seus clubes tenham feito a mesma coisa), o presidente, antes do início do canto da primeira estrofe e do estribilho do meu hino, convidar algumas pessoas (leões ou não) para me guarnecer e a outras bandeiras presentes na panóplia. Forma-se, por vezes, dependendo do número de bandeiras, uma verdadeira barreira humana à frente das mesmas, que chega até a impedir que sejamos vistas pelos presentes à reunião. Para falar a verdade, devo confessar que nunca vi nada escrito sobre guarnecer e muito menos desfraldar bandeiras em panóplias ou em outras situações. A já mencionada Lei N° 5.700/71, bem como suas posteriores alterações, não tratam do assunto e espero que algum de vocês me dê alguma explicação a respeito do mesmo.

Por falar em panóplias, eu tenho tido muitas decepções com a colocação de outras bandeiras, que não eu, em tais panóplias. Quanto a mim, justiça seja feita, tenho sido colocada, na maior parte das vezes, no lugar de destaque que me é reservado. Mas vou lhes contar um fato nada agradável ocorrido com outras bandeiras presentes a uma reunião de Conselho Distrital realizada em certa cidade: eu fui a única colocada no lugar certo. Quanto às demais, é preciso dizer alguma coisa. Uma prévia vista-d'olhos nas normas que regem a colocação de bandeiras em panóplias teria resolvido, facilmente, o caso que acabei de relatar.

Só a título de ilustração, e já quase terminando o nosso bate-papo, lembro que eu posso ser hasteada e arriada a qualquer hora do dia ou da noite. Normalmente, o meu hasteamento é feito às 8 horas e o arriamento às 18 horas, mas, em 19 de novembro, data do meu aniversário, sou hasteada às 12 horas, com solenidades especiais. Durante a noite, não se esqueçam, devo estar devidamente iluminada, e, quando for o caso de várias bandeiras serem hasteadas ou arriadas simultaneamente comigo, eu sou a primeira a atingir o tope, no hasteamento, e a última a descer, no arriamento.

Bem, parece-me que já fui longe demais nesta minha explanação, pelo que lhes peço as minhas escusas. Mas, falar de mim mesma como falei, foi, na realidade, uma forma diferente e sutil que encontrei para homenageá-los e, desculpem-me a falta de modéstia, de homenagear a mim própria que, sem narcisismo, sendo a maior estrela desta reunião do Conselho Distrital do LC-1, julgo-me com o direito, ou melhor, tenho todo o direito de ser homenageada, pois, afinal de contas, eu sou o símbolo maior do meu País, eu sou a bandeira de todos os brasileiros, eu sou, enfim, a BANDEIRA DO BRASIL!.

(A locução proferida por ocasião da 1ª Reunião do Conselho Distrital do LC-1, AL 2002/2003, no dia 27 de julho de 2002, na cidade do Rio de Janeiro - Publicada, com as devidas adaptações, na revista "Meya Ponte" N° 15/2002, da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música da cidade de Pirenópolis, estado de Goiás).


CL Nelcy Pereira Guimarães * CL Nelcy Pereira Guimarães
EGD L-20 1972/73 - Atual DLC-1
Assessor Distrital de Leonísmo
Assessor de Racionalização dos Distritos - Estudos do DMLC
Associado do Lions de Volta Redonda - 17 de Julho
E-mail: nelcy.guimaraes@ig.com.br
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