"Leonismo: o que há nele para mim?"

CL Mauro Lúcio G. Werneck *
Uma pergunta básica existe quando uma pessoa é convidada a ingressar em qualquer grupo, empresa, clube, sindicato, religião, partido político, movimento de solidariedade, etc.

O que existe lá de bom para mim? Que interesse tenho eu neste ingresso?

Se se trata de um Sindicato, a principal motivação é participar de um grupo, com a força da união, capaz de negociar com mais força e defender melhor meus interesses materiais. Mas alguns podem se juntar a um sindicato com outras razões secundárias ou principais: ter uma base para fazer política e galgar postos do Legislativo ou do Executivo, integrar um grupo com valores e interesses semelhantes, participar de atividades sociais,etc.

A uma Religião se adere, para encontrar um caminho para Deus, estar mais próximo d'Ele, buscar entender o mistério da criação, aperfeiçoar-se, mas também se pode pretender galgar os degraus de uma carreira eclesiástica, ou então se aproximar de um grupo étnico mais homogêneo e de valores e cultura semelhantes (as religiões de grupos étnica e culturalmente minoritários tendem a desempenhar este papel em muitos países).

Num Partido Político se entra por razões de ordem ideológica e/ou "fisiológica" ou para construir uma carreira política em cargos executivos ou no Legislativo e, alguns, infelizmente, para enriquecer, ter prestígio e poder.

Num Clube Social se ingressa para praticar esportes, dançar, fazer sauna ou, talvez, para se eleger para o conselho e/ou diretoria e se sentir (e ser?) mais importante, ou, quem sabe, para alguns, como sabemos ocorrer muito freqüentemente, viajar com delegações esportivas e até enriquecer.

E no Leonismo como e porque se entra? E por que se continua?

Muitos entram e, principalmente, entraram no passado para uma coisa que se chama nos Estados Unidos "rub shoulders" (esfregar os ombros), isto é, conviver, com certa intimidade, com pessoas que são expressões importantes do "establishment" local. Se num clube estão (ou estavam) o Presidente de um banco, um Ex-Governador do Estado, o Diretor Executivo de uma grande indústria, um afamado cirurgião, um Senador, um Editor-Chefe de um jornal importante ou um sócio de uma Empresa de Publicidade. Pergunta-se: jovens profissionais nas áreas do direito, publicidade, jornalismo, medicina, etc. não teriam interesse em participar deste grupo e "mostrar serviço", revelando-se um excelente Secretário, Editor de Boletim, Presidente de Clube, apresentar idéias novas, exibir planejamento competente, realizar campanhas de sucesso ou "puxar o saco" dos famosos, visando conquistas nas áreas profissional, social e financeira?

Isto aconteceu muito no passado e acontece bastante onde o Leonismo está em sua fase inicial, como, por exemplo, em alguns países orientais, em países emergentes, no Leste Europeu e até mesmo em países africanos, notadamente no Quênia, Uganda, Tanzânia, etc, principalmente entre a vasta comunidade etnicamente hindu, que substituiu os britânicos como elite acadêmica, empresarial, social e financeira (há mais Ex-Diretores Internacionais africanos de etnia hindu do que negros).

Há muitos que ingressam no Leonismo sem saber por quê. Porque foram convidados por um amigo, um parente ou alguém a quem se deve um favor ou consideração (o novo associado não sabe, mas este amigo ou parente vai ganhar um prêmio por isso). Estes que entram assim, e são muitíssimos no Universo Leonistico, após ingressarem, se tiverem vocação e forem bem instruídos e/ou assimilados, podem passar a gostar do "servir", "curtir" o grupo, se divertir nas convenções e reuniões de companheirismo e acabam sendo Leões para toda a vida. Há outros porém que rapidamente passam à categoria de forâneo ou afiliado, param de freqüentar, deixam de pagar e, finalmente são excluídos do clube.

Há ainda os que gostam de ser útil a seu semelhante, fazer o bem, praticar a caridade e, convidados, ingressam no Leonismo. Muitos descobrem, mais ou menos rapidamente, que o Leonismo não é bem o que esperavam. A eficiência é baixa; a dispersão de esforços grande; os associados realmente envolvidos são poucos; a burocracia é demasiada; o "carreirismo" está muito presente; a vaidade excessiva; a competição por cargos e o exibicionismo ultrapassam muitas vezes o tolerável; existe uma certa heterogeneidade, em alguns clubes mais que em outros, quanto aos valores éticos, nível educacional, condição financeira e vocação; a solidariedade e o companheirismo estão mais presentes muitas vezes nas palavras do que nas atitudes. E, então, preferem ir para uma APAE, para o serviço social de sua Igreja, para a Aliança dos Cegos, etc. Vão ser voluntários, sem burocracia, sem gastos, em grupos sem formalidade e pouca hierarquia, onde sentem muito mais satisfação social

Outras pessoas entram no Leonismo, como sempre relembra Sobral, para "pertencer", ser parte de uma grande família que partilha valores e condições sócio-financeiras, vencer a solidão, superar a perda de entes queridos que se foram. Nas reuniões vão encontrar ambiente para "jogar conversa fora", festejar, viajar juntos, realizar reuniões de companheirismo, ir a convenções, encontrar um ombro amigo no momento de dor, achar conselhos confiáveis, de um companheiro especialista em qualquer setor: médico, advogado, funcionário público, dentista, delegado de polícia, etc.

O Leonismo real é uma mistura de tudo isto, e não podemos ter preconceito algum contra um ou outro aspecto do nosso Movimento nem esperarmos que ser Leão verdadeiro é pertencer à mesma corrente de pensamento nossa no que tange à prática do Leonismo e às prioridades que cada um de nós entende fundamentais.

Precisamos fazer com que cada grupo Leonístico seja sempre uma casa em que o máximo de pessoas, partilhando valores aproximadamente iguais, encontrem razão para continuar, participar, se realizar, aperfeiçoar-se, ampliar seus horizontes, progredir profissionalmente, sentir-se resguardado e mais seguro. Este santuário deve inclusive oferecer oportunidades de exercício da liderança àqueles que nunca tenham se sentido realizados em setor algum da sociedade seja ele profissional, social ou associativo, e que no Leonismo encontram ambiente e apoio para finalmente "acontecer" e ostentar títulos com que jamais sonhou, ou, se sonhou, jamais conseguiu realizar: Presidente de Clube, Presidente de Divisão, Presidente de Região, Governador, Presidente de Conselho de Governadores (que alguns, erroneamente, chamam de Presidente de Distrito Múltiplo), Diretor Internacional, Presidente Internacional.

Já imaginaram, por exemplo, um professor de nível médio de um pequeno município de um estado pouco desenvolvido, por exemplo, cuja carreira profissional tenha se encerrado com os cargos de Diretor de Escola e Chefe de um Núcleo Educacional, e que mercê de seu trabalho no Lions, venha a se destacar no Clube, na Divisão, no Distrito, no País, no cenário internacional e chamado a exercer as mais variadas funções e ocupar todos os cargos da escala leonística, coroando a "carreira" com a Presidência Internacional da maior instituição humanitária do mundo e sendo recebido por chefes de Estado e de Governo, o Secretário-Geral da ONU, o Dalai Lama e o Papa ?

Como abarcar tudo isto em uma só instituição? Buscando a unidade na heterogeneidade e na diversidade. Fazendo que exista tudo quanto é tipo de clube e de Leonismo, dos clubes de enxovais de bebê aos das grandes realizações individuais e de multifacetadas parcerias de sucesso. De clubes especialistas, principalmente nos grandes centros, aos clubes de mulheres, de jovens adultos, universitários, ex-leos e ex-castores, com muitas reuniões sociais ou com muito serviço ou com as duas coisas, com muitos ou com poucos associados (em núcleos, muitos núcleos, muitíssimos núcleos, uma ferramenta pouco burocratizada, potencialmente muito eficiente, sub-utilizada no mundo todo).

Na minha opinião, LCI deveria ter uma norma pela qual um Lions Clube com, por exemplo, menos de 12 associados (e não qual deveria ser o número mínimo; talvez tivesse que variar conforme a região), deveria se transformar num Núcleo. Penso que seria muito mais eficiente um grande Núcleo do que um pequeno Clube. Faz-me lembrar a frase de Juca Chaves "é muito melhor ser cabeça de sardinha do que b... de baleia".

Terminando, lembro que, apesar de tudo e de todas críticas (principalmente partidas de nós, Leões) somos a MAIOR ORGANIZAÇÃO HUMANITÁRIA DO MUNDO. Nossos 50 mil clubes transferem para as comunidades, em bens e serviços, anualmente, de 0,5 a 1,0 bilhão de dólares e contribuem com quase 100 milhões de horas de voluntariado.

O mundo sem nós seria menor! Certamente, nós fazemos a diferença!


CL Mauro Lúcio G. Werneck * CL Mauro Lúcio G. Werneck
Diretor Internacional 2000/2002
Associado do Lions do Rio de Janeiro - Sernambetiba - DLC-1
E-mail: rcpwerneck@terra.com.br
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