Análise crítica do Lions como Clube de Serviço

CL Delmo Tavares *
Este tema está longe da simplicidade de outros que tenho abordado em minha Vida Leonística, dada a sua complexidade e ao envolvimento de ciências sociais, pouco afeitas ao meu cotidiano de cultor das ciências biológicas. Eu o aceitei mais como um desafio do que como uma certeza, principalmente porque, não dispondo de tempo suficiente para pesquisas mais profundas sobre o tema, eu o abordarei embasado apenas no meu estado de espírito de leão de 41 anos de leonismo.

Meus companheiros, tenho lido e ouvido elogiáveis definições, conceitos e opiniões sobre o leonismo, emitidas por pessoas ilustres e que estão fora do movimento, não possuindo, portanto, compromissos com a defesa de nossa instituição. E para sintetizar estas opiniões, ressaltarei a que me parece mais empolgante, emitida por "Sir Winston Churchill": "o leonismo não é a melhor idéia da época atual: é a mais brilhante idéia de todos os tempos".

E isto é inegável: a união de pessoas vindas de procedências diversas, com variadas culturas, tendências sociais e políticas, exercendo profissões diferentes, para numa conjugação de esforços lutarem irmanados por um mesmo objetivo, é realmente algo bastante incomum.

O Lions é Clube de Serviço e segundo Antonio Salem, "é da essência dos clubes de serviços a ação permanentes em busca de solução dos problemas, agindo sempre num trabalho delicado e difícil, às vezes ostensivo e obstinado, quase sempre silencioso, ignorado, altamente humano e inteiramente despretensioso".

Pode-se esperar algo mais brilhante como filosofia de ação?

O que me preocupa, entretanto, é a constatação de que, ao analisarem os clubes de serviços de maneira geral e o Lions em especial, os grandes pensadores de nossa época se referem à eles como uma "idéia", uma "filosofia", se omitindo de falar do "Lions-ação", do "Lions - realidade comunitária".

É bem possível que ao falarem em "idéia", por extensão de conceito, queiram se referir a "idéia-ação". Mas a continuada leitura dessas opiniões me faz pensar se não estará mesmo havendo uma defasagem entre os elevados propósitos do Lions e sua consecução prática.

O crescente número de ex-leões no mundo (que já supera o próprio número de leões) não será reflexo de um desestímulo provocado por esta defasagem?

Ainda que eu não tenha suficientes conhecimentos do leonismo no mundo e ainda que não disponha de elementos mais precisos para uma análise rigorosa do problema, o que tenho visto, ouvido, lido e me informado sobre as coisas do Lions, me dão a impressão de que esta defasagem realmente existe.

Pelo efetivo que possui pelo investimento que é feito na sua administração, pela amplitude de seus objetivos e pela monta das carências das próprias comunidades, acredito que a ação do Lions Internacional está deixando a desejar. Pelo menos no Brasil, onde a maioria dos clubes se desgasta em pequenas atividades filantrópicas, competindo nesta área com uma infinidade de outras "ONGS".

Companheiros, uma vez que admiti a existência de um gradiente entre o "Lions -idéia" e o "Lions-ação", eu me questiono sobre as prováveis causas desta patogenia leonística. E neste campo muitas divagações e conjecturas posso fazer, sem, no entanto, me comprometer com afirmações definitivas, isto por falta de elementos para uma avaliação mais profunda.

Com 90 anos de existência, o Lions viu o mundo sofrer as mais profundas modificações da história da humanidade: o homem mudou, a sociedade mudou, as aspirações e anseios cresceram. E até mesmo as mais antigas carências, que até hoje sobrevivem, não podem ser tratadas com os mesmos métodos, com a mesma terapêutica da época de nosso início. E parece que aí reside um dos erros de nosso movimento: os clubes se repetem em campanhas chavões, geralmente estimuladas pelas próprias orientações e Lions Internacional, que as divulgam em seus prospectos, não levando em conta a especificidade de cada comunidade.

A proliferação indiscriminada de clubes sem um trabalho adequado de fundação e as campanhas audaciosas de aumento de associados, que obrigam os clubes, muitas vezes, a expansões falaciosas, têm apenas aumentado o efetivo de leões (e posteriormente de ex-leões), sem acrescentarem nada de criativo ao nosso movimento.

Outro aspecto desfavorável é o hermetismo com que o Lions procura realizar suas campanhas, ignorando a existência, na comunidade, de outras entidades interessadas na solução dos mesmos problemas. São os clubes de serviço co-irmãos, entidades assistenciais, governos e até mesmo outros clubes de Lions. Se nos agrupamos num clube para, através da convergência de esforços, atuarmos na comunidade, por que não convergirmos esforços também com outras entidades da comunidade? O próprio Lions Clube Florianópolis - Estreito teve suas mais efetivas campanhas quando se associou à outras entidades de Florianópolis.

Ainda pode-se aventar, como fator causal, a falta de objetivos definidos para cada clube, fruto de planejamento estratégico, que considerasse o material humano disponível no clube, as potencialidades do grupo, as necessidades da comunidade, os instrumentos disponíveis para a ação. Disto poderia resultar campanhas de longo prazo, com melhores performances, deixando a filantropia para necessidades emergenciais.

Por outro lado, o mecanismo de administração de Lions Internacional, nos diversos níveis, parecem pouco evolutivos. Nossa cúpula internacional se mostra permanentemente ocupada com a política de sucessão. Os níveis mais baixos da organização, presos à esquemas rígidos e desatualizados recomendados pela alta direção, ainda não se aperceberam da urgente necessidade de reformulação. Nossas reuniões distritais, convenções, comitês e outras, em nada ajudam a atualização do leonismo, repetindo-se anos após anos dentro de esquema sabidamente ineficaz e improdutivo. Muita oratória, pouca "escutatória" e nenhuma "decisória".

Quero ressaltar que se nesta palestra pintei nossa realidade um tanto carregada, é porque me ative na análise de apenas uma das faces do leonismo: o serviço comunitário, o Lions-serviço. Não há duvidas que outros aspectos, como o Lions - companheirismo e o Lions - sociedade, que atendem à característica gregária do ser humano, são bastantes atrativos.

Não acho, meus companheiros e companheiras, que estas deficiências e inadequações do Lions aqui descritas devam esmorecer nossos alentos ou diminuir nossas aspirações. O que é necessário é que comecemos a forçar as mudanças e se não pudermos atingir com nossos esforços toda uma estrutura leonística, procuremos aperfeiçoar, pelo menos, o nosso clube. Precisamos sacudir um pouco nossa área de ação comunitária, retirar o pó do comodismo e abandonar a atitude contemplativa de quem espera sempre que outro venha apresentar as soluções de nossos problemas comuns. E no dia em que todos os leões pensarem assim, o Lions deixará de ser não só "a mais brilhante idéia de todos os tempos", para ser também "a mais efetiva realidade de nossa era".


CL Delmo Tavares * CL Delmo Tavares
Lions Clube de Florianópolis - Estreito
Santa Catarina - Distrito LD-9
E-mail: delmo@tavares.eti.br
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