A "Bíblia" do Lions

CL Antonio Benson Junior *
Companheiros, uma grande empresa sobrevive ao longo dos anos porque é organizada e define logo no início de suas atividades, a sua Missão e Objetivos, sua Visão, seus Valores, seu Estatuto, seu Regimento Interno, suas Políticas e Diretrizes Básicas, as Instruções de Procedimentos para a execução de suas múltiplas tarefas e até as formas operacionais dos seus Sistemas Computadorizados. Todos têm a obrigação de conhecer esse dossiê, que se compõe desses compêndios citados como uma "Bíblia" da Empresa, sobretudo seus executivos, para que possam orientar seus subalternos nas atividades diárias e nas tomadas de decisões.

O Lions Internacional que foi criado em 1917, embora uma Organização Não Governamental, mas com estrutura empresarial, também definiu muito bem tudo isso, inclusive criando um Código de Ética como guia de procedimentos a serem cumpridos pelos seus associados. Esse Código de Ética foi escrito de forma sucinta, usando-se termos da linguagem da época, com seus preceitos colocados de forma sutil, voltado para homens de negócios, corretores de seguros, etc., que foram os primeiros associados, até porque, no início do século 20, as pessoas decidiam mais por si mesmas, já que não havia televisão, internet, "sites", "blogs", "twitters", celulares e outros meios, que a sociedade do século 21 dispõe hoje, para interferir na decisão das pessoas.

O Código de Ética, naquele momento, era suficiente para o discernimento dos companheiros leões, que eram homens que honravam o fio de seus bigodes e viam seu semelhante como um ser humano tal como ele, que tinha necessidades básicas mínimas e para as quais poderiam oferecer ajuda.

Lembro-me quando criança, no bairro do Belém em São Paulo, capital, que após o jantar, minha família levava as cadeiras da sala para a calçada em frente de nossa casa, onde os vizinhos faziam o mesmo, para nossa alegria, já que assim podíamos brincar ainda, até que todos se recolhessem. Como não existiam formas de entretenimento a não ser o velho rádio, que transmitia "a Voz do Brasil" naquele horário, não havia outra alternativa, senão conversarem, dando margem a diálogos esclarecedores entre os membros da família.

À medida que outras famílias iam tomando assento, o diálogo se expandia entre todos e sabíamos como estavam passando. Havia muito mais sensibilidade e solidariedade entre as pessoas. Lembro-me até que repartíamos o que tínhamos para ajudar aqueles que necessitavam de forma espontânea, amorosa, respeitosa e acima de tudo, dava-se uma lição de cidadania e solidariedade à vizinhança, já que estávamos enfrentando a segunda grande guerra e a situação geral era difícil.

A sociedade mudou, tornou-se um manicômio global onde o normal é ser estressado, ansioso, egocêntrico, vencedor a qualquer custo, tornando a maioria das pessoas individualista, cultivador do próprio umbigo e o anormal é o ser saudável, sereno, tranqüilo, sensível, solidário e acima de tudo, feliz. Este passou a ser um estranho no ninho aos "normais".

A televisão, infelizmente, acabou com o diálogo familiar, individualizando as pessoas e o computador, com suas ferramentas como a internet, o correio eletrônico, "chats", "blogs", "twitters", etc. tornou a comunicação um meio eminentemente eletrônico, reduzindo sobremaneira o contato pessoal e dificultando o diálogo.

Esta sociedade moderna, psicótica, que nos controla com regras rígidas, nos impele a consumir e gastar compulsivamente, para que possamos atingir um "status" social que nos faça merecer realce e reconhecimento dela. O ser normal é consumista ao extremo e vive como se tivesse sido jogado ao mar por um acidente qualquer e tentasse sobreviver a qualquer custo, mesmo que fosse preciso se agarrar ao próximo e afogá-lo para poder subir à superfície e continuar vivo.

A sensibilidade foi embotada, a solidariedade aposentada sumariamente e a comunidade virou selva de pedra, onde o lema é "salve-se quem puder". O que importa é o "Status" que é a medida na qual a sociedade cataloga as pessoas.

A melhor definição de "status" que li, até hoje, é a seguinte: "Status é comprar aquilo que você não precisa, com o dinheiro que você não tem, para impressionar quem você não conhece e mostrar aquilo que você não é".

Na minha limitada ótica, já que estou há anos luz de um cronista social, acho que precisamos definir hoje, o papel do companheiro e da companheira leão dentro desta sociedade egoísta, que descrimina as pessoas por raça, cor, religião, sexo e, sobretudo, pelo pouco ou nenhum dinheiro que dispõe, muitas vezes pela falta de um emprego decente.

Nos clubes de Lions que visito pela primeira vez e para os/as companheiros/as que me são apresentados, sempre tenho a curiosidade de saber o que fazem e como fazem, até para aumentar o meu orgulho de ser Leão e não raras vezes me decepciono. Muitos afirmam que seus clubes ajudam creches ou asilos, mas que pessoalmente não participam diretamente da ação. Contudo pagam suas taxas, participam de todas as reuniões e dos eventos do Distrito como se isso fosse suficiente para justificar suas condições de associados.

De outros companheiros/as, já que temos uma enorme faixa etária de terceira idade, ouço colocações de que eles fizeram muito, quando eram mais jovens e que colecionaram pins, como se fossem medalhas de honra ao mérito e que hoje nada mais podem fazer senão participarem dos jantares e festividades do movimento, fato que contesto veementemente, pois conheço tantos jovens velhos e velhos jovens e todos podem colaborar, se não fisicamente, porém com suas mentes, seus comportamentos e suas ações.

Já ouvi também, de Presidentes de Clubes, que por falta de recursos, não conseguem fazer muita coisa já que os associados reclamam de falta de dinheiro, provocando até atrasos nos pagamentos de suas taxas. Para mim, esses fatos não justificam a inércia de grande parte dos associados de nosso Distrito.

Vejo o/a Companheiro/a Leão como o elo de ligação entre a necessidade e o recurso, mas não sou adepto de que o recurso deva sair de seu bolso e sim de empresas que podem abater de seu imposto de renda o montante doado. Claro que, para se obter patrocínio, temos que apresentar projetos sérios, que sejam elaborados com muito cuidado, critérios e conduzidos de maneira responsável, isto é, precisamos trabalhar muito.

Contudo, muitas vezes, uma simples intervenção nossa, resolve grandes problemas, como aconteceu recentemente comigo, ao constatar que uma instituição de caridade recebia grande quantidade de leite como doação e uma creche recebia carne em excesso para suas necessidades. Coloquei-as em contato e hoje trocam seus excedentes. Uma simples ação que me custou alguns telefonemas e um pouco de boa vontade.

As atividades assistenciais, que alguns clubes mantêm, são importantes, mas acima de tudo, temos que procurar "ensinar a pescar" e não somente "dar o peixe". Atividades sociais, tais como, Preservação do Meio Ambiente, Preservação da Qualidade da Água, Reciclagem de Lixo etc., são programas que devem ser liderados pelo Distrito, já que dependem de uma ação conjunta com os clubes e parcerias com entidades governamentais, mas isso não impede que os Clubes façam a sua parte. Por outro lado, o Distrito tem que definir um "foco" de atuação e criar uma sinergia entre os clubes para cumprir as metas definidas em função dos objetivos do mesmo. Contudo para isso, precisamos nos comprometer com o movimento e não somente pertencer descompromissadamente ao mesmo.

Sei que muitos dirão que esses programas são muito ambiciosos e não temos fôlego para realizá-los. Então sugiro que, para não ficarmos somente fazendo "companheirismo", pelo menos, cada companheiro/a Leão deva assumir um comportamento de verdadeiro cidadão/ã, passando com esse procedimento, um verdadeiro paradigma de pessoa que respeita o direito dos outros, ceda seu assento nos meios de transporte aos necessitados, seja solidário, recicle seu lixo, não jogue coisas em via pública, cumprimente seu semelhante ao cruzar com ele, não procure levar vantagens sobre os outros, diga obrigado quando recebe uma gentileza, pratique a amizade como fim e não como meio de autopromoção, respeite as regras de trânsito, diga "eu te amo" às pessoas a quem ama, olhe com carinho para seu semelhante, tenha sempre pensamento positivo e diga aos outros sempre palavras de ânimo e incentivo, faça críticas construtivas, mas de forma velada e discreta, elogie em público as pessoas que merecem, dedique-se à trabalhos voluntários e outros procedimentos de pessoa de bem, orgulhando aos que o circundam e se estiver carregando o pin do Lions, mostrando aos demais o valor do/a companheiro/a Leão.

Paralelamente, oriente seus familiares, vizinhos e amigos, sobre os cuidados na preservação do meio ambiente, da água, da reciclagem do lixo, de se evitar jogar óleo saturado nos esgotos da cidade, nem lixo nos córregos, proteger árvores que são cortadas ou arrancadas, muitas vezes porque sujam as ruas, esquecendo-se que ela filtra o ar e nos traz oxigênio importante para nossa vida.

Vejam que nada foge praticamente do atual Código de Ética. Simplesmente seu linguajar foi simplificado para que todos o compreendam melhor.

Temos que cuidar para que o movimento leonístico não se torne uma "ILHA DE CARAS" onde falsos líderes possam buscar seus quinze minutos de fama, através dos holofotes e "flashes" dos meios de comunicação que divulgam o movimento, sem o respaldo de algo importante que tenham concretizado esquecendo-se da nossa verdadeira missão que é servir ao próximo, desinteressadamente, com muita humildade, de forma discreta, só colocando em evidência a instituição e não seus associados a menos que tenham feito algo excepcional que mereça destaque.

Precisamos dar exemplos sempre para que possamos naturalmente emular outras pessoas a seguirem o nosso caminho. Só assim faremos o movimento se expandir mais e não convocando compulsoriamente os amigos, em nome de nossa amizade, a aderirem. Desta forma, teremos orgulho em exibir o símbolo do Lions e com certeza, nossos filhos e netos quererão levar nossa bandeira adiante.

Pensemos nisso. Ah!!! Antes de terminar, por favor, procurem ler o livro "O Vendedor de Sonhos", "best seller" de Augusto Cury, psicanalista, psiquiatra e escritor brasileiro, com vários livros traduzidos por muitos países, além de pessoa extremamente humilde, a ponto de evitar fotos e entrevistas ao vivo, para não expor sua vida, sua família, sua privacidade e que nesta obra nos estimula a sermos verdadeiros cidadãos e bem poderia ser um protótipo de um Companheiro Leão, embora provavelmente só o seja no anfiteatro de nossas mentes.


CL Antonio Benson Junior * CL Antonio Benson Junior
Associado do Lions Clube de São Paulo - Ipiranga
São Paulo - Distrito LC-2
E-mail: abensonjr@terra.com.br
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